Três Perguntas a Mário Negreiros

Mário Negreiros, produtor da Negreiros 

Quem é o Mário Negreiros ?

Não sou rigorosamente nada além dos meus afetos. Os afetos são a minha razão de ser, o meu ofício, a minha medida, o meu prazer e a minha dor.

O enorme gozo que tenho no trabalho de adega dá-se quando não há palavras – quando a pessoa que tem a mangueira não tem de pedir o balde porque a pessoa que está na bomba percebe que antes que o da mangueira lhe peça, já o outro lhe levou o balde. É daí que nasce a cumplicidade e, dela, o afeto.

Quem me vê na adega pode pensar que é grande a minha dedicação ao vinho. Mentira! Não dedico a minha vida ao vinho – dedico o vinho à minha vida. Faço dele o meu sustento – material e afetivo ou, numa palavra, o meu sustento.

Gosto muito das uvas e do vinho que elas fazem, mas elas estão em segundo plano quando digo que o Negreiros é um vinho feito com pessoas… e algumas uvas também. Porque aqui não são as pessoas a serviço das uvas, mas as uvas a serviço das pessoas. É para isso que elas – as uvas – e eles – os vinhos – servem: para nos porem juntos. Vejo o vinho como a expressão mais próxima daquele mandamento que, se cumprido, dispensaria os outros nove – é o caminho mais próximo para nos amarmos uns aos outros.

Sou (acabo de descobrir) um sacerdote.

E o vinho, o meu evangelho.

Um vinho e o prato que melhor o acompanha?

O egocentrismo é que nos põe como objecto quando o sujeito bacalhau é chamado de “fiel amigo”. Fiel amigo o bacalhau é, mas do vinho. E, mais especificamente, do vinho tinto.

Não sei se algum dia – sequer na National Geographic – vi simbiose tão perfeita, com tantos ganhos para um (bacalhau sem vinho seria tão triste…) quanto para o outro (sem bacalhau o vinho morreria sem mostrar a sua grandeza).

E quanto mais provo diferentes receitas de bacalhau, mais me rendo à receita mais básica: uma panela com água a ferver onde se coze batatas e cenouras primeiro, depois o bacalhau e os brócolos. Desde que o bacalhau entre, convém evitar a fervura mas manter a água quase lá. Antes de servir, no prato de quem o queira, espalha-se alguma páprica, rega-se-a com montes e montes e montes e montes de azeite e, quando o bacalhau e companhia estiverem cozidos, é só servir em cima dessa papa de páprica e azeite (o bacalhau e as batatas bebem-na toda, não se preocupem).

Dicas para melhorar a experiência com o vinho?

Há um filme que acaba com um eno-chato a beber vinho maravilhoso num copo de plástico com um hamburger de merda numa estação de serviço. E a moral da história era alguma coisa como “deixa de ser chato e, se quiseres curtir a vida, liberta-te dos teus dogmas”.

OK, digo eu, um hamburguer, dependendo de quem o faça e da fome que se tenha, pode ser um manjar de reis, mas o bom copo não é um dogma. É um facto. Claro que quando não há opção… não há opção. Mas se houver, use-se – sem medo da pecha de dogmático (ou outra qualquer).

Um vinho Negreiros para:

Para partilhar com os amigos:

Negreiros 2014 tinto

Da cave para beber agora:

Negreiros Glu-glu-glu 2009 tinto

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