Três Perguntas a Jorge Rosa Santos

Enólogo Colinas do Douro 

Quem é o Jorge Rosa Santos? 

Nasceu, cresceu e formou-se em Lisboa, mas desde cedo percebeu que a sua vida não passaria pela cidade. Acabado de sair de Agronomia, em 2004 foi para a Austrália e regressou ao hemisfério sul em 2007 para uma aventura na Nova Zelândia.

Regressou ao Douro Superior em 2015, para assumir a Direcção de Produção das Colinas do Douro, mas já cá tinha andado nos seus tempos de Enólogo, na Quinta do Couquinho entre 2004 e 2007.

Alfacinha de gema, mas com o Douro Superior no coração, tem como grande objectivo colocar as Colinas do Douro na rota dos grandes produtores do país.

Um vinho e o prato que melhor o acompanha?

O prato escolhido é camarão com manga cozinhados em pasta de coentros, gengibre e alho. É servido à mesa flambeado em cachaça. Para este prato sugiro um grande Branco do Douro, com acidez e estagiado em madeira, por isso um Colinas do Douro Reserva 2015 branco, vinha a mesmo a calhar.

Dicas para melhorar a experiência com o vinho?

Para além do copo e temperatura certa, uma boa companhia transforma sem dúvida o momento. Qualquer vinho saberá melhor com uma boa e interessante conversa à mesa.

Um vinho Colinas do Douro para:

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Colinas do Douro Superior 2015 tinto

Um vinho que tem recebido feedback positivo de uma diversidade enorme de consumidores e profissionais do vinho, uma aposta segura.

Guardar e beber daqui a 10 anos:

Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012 tinto

Um vinho exclusivo, feito para momentos especiais, com a estrutura típica de vinhos que melhoram ao decorrer dos anos.

Levar para uma ilha deserta:

Colinas do Douro 2016 rosé

Um rosé fresco, elegante e suficientemente complexo para agradar os apreciadores mais exigentes.

Para beber enquanto cozinha:

Colinas do Douro Superior 2016 branco

Acessível, mineral, fresco e elegante, sem dúvida um vinho que inspira os cozinheiros a fazer grandes refeições.

Para o final do dia:

Colinas do Douro Colheita Tardia 

Um doce cheio de frescura, para acompanhar a sobremesa, e depois.

Da cave para beber agora:

Colinas do Douro Reserva 2015 tinto

Não deve haver muito vinho do Douro com tanta qualidade a este preço. Desculpem a modéstia.

Para um momento especial:

Espumante Rosé Colinas do Douro

O primeiro espumante desta casa, dando provas do enorme potencial para este tipo de vinhos neste terroir.

Três Perguntas a Mário Negreiros

Mário Negreiros, produtor da Negreiros 

Quem é o Mário Negreiros ?

Não sou rigorosamente nada além dos meus afetos. Os afetos são a minha razão de ser, o meu ofício, a minha medida, o meu prazer e a minha dor.

O enorme gozo que tenho no trabalho de adega dá-se quando não há palavras – quando a pessoa que tem a mangueira não tem de pedir o balde porque a pessoa que está na bomba percebe que antes que o da mangueira lhe peça, já o outro lhe levou o balde. É daí que nasce a cumplicidade e, dela, o afeto.

Quem me vê na adega pode pensar que é grande a minha dedicação ao vinho. Mentira! Não dedico a minha vida ao vinho – dedico o vinho à minha vida. Faço dele o meu sustento – material e afetivo ou, numa palavra, o meu sustento.

Gosto muito das uvas e do vinho que elas fazem, mas elas estão em segundo plano quando digo que o Negreiros é um vinho feito com pessoas… e algumas uvas também. Porque aqui não são as pessoas a serviço das uvas, mas as uvas a serviço das pessoas. É para isso que elas – as uvas – e eles – os vinhos – servem: para nos porem juntos. Vejo o vinho como a expressão mais próxima daquele mandamento que, se cumprido, dispensaria os outros nove – é o caminho mais próximo para nos amarmos uns aos outros.

Sou (acabo de descobrir) um sacerdote.

E o vinho, o meu evangelho.

Um vinho e o prato que melhor o acompanha?

O egocentrismo é que nos põe como objecto quando o sujeito bacalhau é chamado de “fiel amigo”. Fiel amigo o bacalhau é, mas do vinho. E, mais especificamente, do vinho tinto.

Não sei se algum dia – sequer na National Geographic – vi simbiose tão perfeita, com tantos ganhos para um (bacalhau sem vinho seria tão triste…) quanto para o outro (sem bacalhau o vinho morreria sem mostrar a sua grandeza).

E quanto mais provo diferentes receitas de bacalhau, mais me rendo à receita mais básica: uma panela com água a ferver onde se coze batatas e cenouras primeiro, depois o bacalhau e os brócolos. Desde que o bacalhau entre, convém evitar a fervura mas manter a água quase lá. Antes de servir, no prato de quem o queira, espalha-se alguma páprica, rega-se-a com montes e montes e montes e montes de azeite e, quando o bacalhau e companhia estiverem cozidos, é só servir em cima dessa papa de páprica e azeite (o bacalhau e as batatas bebem-na toda, não se preocupem).

Dicas para melhorar a experiência com o vinho?

Há um filme que acaba com um eno-chato a beber vinho maravilhoso num copo de plástico com um hamburger de merda numa estação de serviço. E a moral da história era alguma coisa como “deixa de ser chato e, se quiseres curtir a vida, liberta-te dos teus dogmas”.

OK, digo eu, um hamburguer, dependendo de quem o faça e da fome que se tenha, pode ser um manjar de reis, mas o bom copo não é um dogma. É um facto. Claro que quando não há opção… não há opção. Mas se houver, use-se – sem medo da pecha de dogmático (ou outra qualquer).

Um vinho Negreiros para:

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Negreiros 2014 tinto

Da cave para beber agora:

Negreiros Glu-glu-glu 2009 tinto

Três Perguntas a Catarina Vieira

Catarina Vieira, gestora e enóloga da Herdade do Rocim 

Quem é a Catarina Vieira?

Uma pergunta levamos a vida inteira a tentar perceber e para a qual nunca há uma resposta definitiva…

Nasci em Lisboa e poucos anos depois fui, com os meus pais e minha irmã, viver para Leiria.Uma infância feliz e rodeada de muito amor dos meus pais e dos meus avós, com quem convivi sempre de muito perto. Onde comecei a ter contato com a produção de uvas, de vinhos e talvez de onde surgiu a minha vontade de seguir esta área.

Mais tarde escolhi seguir eng.º Agronómica, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Estágio e trabalho final (poda semi-mínima na casta Sangiovese), na Universidade de Bolonha, com o professor Cesare Intrieri. Pós-Graduação Enologia na Escola Superior de Biotecnologia – Universidade Católica Portuguesa, Porto.

Actualmente no projecto da Rocim, onde com o Pedro Ribeiro partilhamos funções de gestão da empresa.

Um vinho e o prato que melhor o acompanha?

Olho de Mocho Reserva 2016 branco e apesar de acompanhar muitíssimo bem com pratos variados, gosto muito de o beber com uma massa fresca com bottarga.

Massa fresca com bottarga

Dicas para melhorar a experiência com o vinho?

A melhor de todas: ter amigos que gostem de vinho.

Depois tantas outras coisas: a nossa historia, perceber a nossa gastronomia e naturalmente como acompanha bem com os nossos vinhos, perceber os nossos vinhos e o complemento com a nossa gastronomia, os copos, as temperaturas, conhecer os projectos vitivinícolas em Portugal e fora, feiras, provas.

Um vinho Herdade do Rocim para:

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Herdade do Rocim 2014 tinto

Guardar e beber daqui a 10 anos:

 Grande Rocim Reserva 2013 tinto

Levar para uma ilha deserta:

Herdade do Rocim Brut Nature 2014 espumante

Para beber enquanto cozinha:

Herdade do Rocim 2016 branco

Para o final do dia:

Olho de Mocho Reserva 2016 branco

Da cave para beber agora:

Herdade do Rocim Clay Aged

Para um momento especial:

Olho de Mocho Reserva 2014 tinto

Nuggets de Bacalhau

Nuggets de Bacalhau

Ingredientes:

  • 400 g de Lombo de bacalhau Lugrade
  • 100 ml de leite
  • 1 limão
  • Qb de louro
  • Qb de pimenta
  • 200 g de pimento vermelho
  • 300 g de sementes de papoila
  • 4 ovos
  • sal
  • 0,5 l óleo
  • 100 g coentros

Preparação:

  1. Coloque os pimentos a assar no forno a 160° durante 40 minutos.
  2. Corte os lombos de bacalhau ao meio e coloque-os numa taça temperados com leite, louro, pimenta e sumo de um limão.
  3. Depois dos pimentos estarem assados, triture até obter um creme. Tempere de sal e pimenta.
  4. Use três taças para colocar farinha, outra com os ovos batidos, por fim, outra com as sementes de papoila.
  5. Coloque o óleo numa frigideira e aqueça.
  6. Depois de os filetes de bacalhau marinarem seque-os num papel absorvente.
  7. Passe-os por farinha e de seguida pelos ovos e pelas sementes.
  8. Frite. Enquanto fritam, pique os coentros.
  9. Sirva os lombos com o creme de pimento e decore com os coentros picados.

Acompanha com:

Três Perguntas a Carlos Lucas

Enólogo da Magnum – Carlos Lucas Vinhos 

Quem é o Carlos Lucas ?

A enologia é uma disciplina da engenharia e essa será talvez a maior moldagem do meu entendimento, pratico e pragmático na criação de vinhos mas suficiente moldável para trocar a intuição pela disciplina mental, não que não seja racional, que o sou mas o vinho e as cepas continuam um segredo com tantas variáveis que lhes sigo a vantagem de me deixar guiar pelo olfato.

Sou um criador de vinhos, apaixonado pela lavoura, perdido pela família, gosto de uma boa mesa e de uma tertúlia com amigos que me alargue o sorriso e encha o coração. Nasci em Coimbra, cedo subi à Beira e nesse sentido serei um Beirão com raízes no Dão que gosta de andar de mota, restauros, de fazer coisas diferentes. De cães e carros antigos, um conservador atrevido pela novidade, comprometido com a terra mas provocador quanto baste para ter a cabeça arejada.

Irreverente o quanto baste para conseguir descobrir novos caminhos e perdidamente apaixonado pelos vinhos, sobretudo os brancos, e por ver nascer projetos que respeitem a terra e as suas matizes. Tdos nós temos uma herança e eu sou muito orgulhoso do meu espólio. A terra é o que me dá o sustento, foi a terra que me viu crescer e nesse sentido sou um filho da terra que respeita as suas idiossincrasias. É o que deixaremos aos vindouros e o que precisamos respeitar.

Sou observador, viajo muito para contento da alma, mas também para melhorar e aprender, eu próprio comigo e o espirito com o que vejo. Quero estar sempre mais além e nesse sentido sou incansável, calibrando a vida entre o trabalho, a mulher e os filhos, que são muito do sentido que vejo na vida. Volto sempre, tenho que ter uma origem embora os amigos me digam que vadiar também é oficio, gosto de ter pés vincados em solo firme. E de fazer coisas diferentes, talvez ousadas, sem desrespeitar valores antigos.

Um vinho e o prato que melhor o acompanha?

Bacalhau…sempre bacalhau mas com inovação.
Ribeiro Santo Vinha da Neve 2015 branco e Nuggets de Bacalhau ( que também dá para comer à mão)

Dicas para melhorar a experiência com o vinho?

Sem duvida que a escolha de copo adequado continua a ser uma batalha. Se nos restaurantes já tem conhecimento deste facto continuam a menosprezar a compra de bons copos .

Um vinho Carlos Lucas para:

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Ribeiro Santo Grande Escolha 2011 tinto

Guardar e beber daqui a 10 anos:

Envelope Ribeiro Santo 2016 branco

Levar para uma ilha deserta:

Ribeiro Santo Encruzado 2016 branco 

Para beber enquanto cozinha:

Tom de Batom 2016 branco

Para o final do dia:

Maria Mora Reserva 2014 tinto

Da cave para beber agora:

Quinta da Alameda Reserva Especial 2012 tinto

Para um momento especial:

Ribeiro Santo Carlos Lucas Família 2014 tinto

Se não estivesse no mundo dos vinhos, onde estaria?



Cinco Perguntas a Tiago Froufe Costa

Pedro Teixeira, Tiago Froufe 

Quem é o Tiago Froufe?

Alguém que gosta de partilhar grandes momentos com as pessoas mais próximas. Isto começa no dia a dia com a actividade profissional, onde agencio gente muito talentosa com os seus projectos digitais, desenvolvendo conteúdos diferenciadores, chegando ao fim de semana com amigos onde nos sentamos à mesa para degustar a gastronomia local. E quanta riqueza temos no nosso país.

Como começaste a gostar de vinho? 

As ligações ao vinho são de sempre, a minha família materna é produtora de vinho no Douro, na zona de Mêda e Vila Nova de Foz Côa, e tenho grandes amigos também eles produtores de vinho nas várias regiões. Para além disso, sou da Beira Alta, região do excelente vinho do Dão.

Como não gostar de vinho com este berço e com a qualidade que temos no país?

Qual o prato favorito para acompanhar com Bons Rapazes? 

Neste início de clima cinzento e chuva, passa-me pela cabeça um almoço com a lareira acesa ao fundo da sala, o Tinto Reserva 2014 na mesa a acompanhar um arroz de espigos com costelas em vinha d’alhos. De babar.

Para o Branco, um peixe escalado com vista para o mar é sempre uma boa opção.

Sabes a receita? Podes partilha-la com os nossos leitores? 

A receita para estes vinhos é a clássica do Douro, foi sempre o nosso objectivo quando começámos a pensar no projecto. No Tinto, a Touriga Franca proveniente de uma parcela de vinha do vale do Rio Pinhão talvez seja o grande segredo da receita, tornando o vinho mais fresco e elegante. À casta principal juntámos a Tinta Roriz e a Touriga Nacional, as três provenientes de vinhas com mais de 30 anos.

Com quem gostas de beber Bons Rapazes ?

Costuma dizer-se que vinho é vida. E a vida é para ser partilhada, certo?
Os amigos e a família estão sempre em primeiro lugar e já fiz questão de partilhar estes vinhos tanto com uns como com outros em momentos distintos. Posso dizer que num final de tarde com amigos e umas tapas, o Branco encaixa na perfeição. Quando se passa para a mesa, o Tinto é quem comanda.

O vinho Bons Rapazes é uma parceria entre o blog Bons Rapazes e a Lavradores de Feitoria.